Fomos, vimos e amamos.
Mas se voce pensa que Bali e uma ilhazinha perdida no meio do indico, e repleta de praias idilicas, fique no Brasil. A realidade e muito diferente. Bali fica no Oceano Indico, e linda mas e uma ilha enorme, muito maior que Cingapura. E como em toda a asia que eu vi, tem muita gente. Tem um ar interessante de cidadezinha do interior, e onde passeamos so vimos ruas estreitas, pouquissimos predios, de no maximo 3 andares. Quase nao existem avenidas e praticamente nenhuma auto estrada. Tudo anda devagar, ate o transito. Um tanto lotado mas calmo, sem pressa, nem stress das cidades grandes. A frota de motos eu acredito ser maior que a de carros. Os motoqueiros sao os que mais tumultuam, mas ainda assim sao mais tranquilos que o normal, quase nao costuram. Mas em todo lugar se ve a mao do homem, e todo tipo de atracao para turistas.
Ficamos hospedados em Kuta, pertinho do local do primeiro atentado. Muito triste a gente imaginar um lugar em que so deve haver festa, sangrando por uma bomba. Uma tragedia. Por conta dos atentados, nao se entra em lugar algum de carro sem que este seja revistado e feito uma varredura do fundo com a ajuda de espelhos. No aeroporto so entram os passageiros que vao embarcar, e preciso apresentar a passagem e fazer vistoria de toda a bagagem, nao se pode levar acompanhantes. Meio esquisito, mas necessario.
Mas ate agora parece que e ruim, mas nao e. Muito semelhante as nossas cidades pequenas da regiao do lagos. Muitas lojinhas, restaurantes e bares. Muitos templos e religiosidade por todos os lados. Se alguem acha que baiano e mistico precisa ver o balines. Em todos os cantos existem altares e oferendas, seja nas casas, lojas, dentro ou acima dos carros, pelas ruas, praias, e no hotel. Na frente de quase toda construcao monta-se uma casinha, as vezes simples, outras vezes luxuosas, como as da umbanda. Nelas sempre tem alguem colocando umas cestas com flores, incenso, alguma comida, e as vezes ate cigarro e dinheiro de mentirinha. Eles ficam ungindo as tais cestas com um liquido, sei la para que, e trocam as cestas algumas vezes durante o dia. So nao vi imagens. Tambem costumam colocar as tais cestinhas no chao, no meio da entrada de qualquer local, acho que deve afastar azar. Vimos muitos templos e altares tambem, sempre cobertos de oferendas. Nosso motorista todos os dias trocava a cesta do nosso carro, e a noite deixava uma outra cesta sobre ele.
Bali, ao contrario do resto da Indonesia mulcumana, e em sua maioria hindu. O hinduismo daqui, no entanto, tem uma serie de particularidades apenas da ilha, resultado da mescla de suas tradicoes e cultos anteriores ao hinduismo. Para entrar nos templos so devidamente paramentado com um tradicional sarong.
Antes de nos entregarmos aos prazeres das praias, fomos fazer as visitas culturais. Comecamos com Uluwatu, que possui um grande templo, que so vimos por fora, e uma praia famosa no meio do surfe.
O acesso ao templo e a praia se faz por uma floresta repleta de macacos, que sao uma atracao a parte. Os danadinhos tem a mao leve, e roubam tudo o que podem. Fomos orientados a guardar oculos, brincos, colares, chapeus e cuidar das bolsas. Enquanto eu posava para uma foto junto com a Fernanda, um deles rapidamente enfiou a mao entre nos para pegar os oculos dela, so nao levou porque o espaco era pequeno e nos juntamos o rosto e gritamos e ele retirou a mao. Agora o mais engracado era olhar pra cara do safado que continuou no mesmo lugar, com jeito de que nao sabia o que estava acontecendo. Um outro roubou a garrafa de agua das maos da minha irma, rapidamente desenrroscou a tampa e bebeu tudo.
O acesso a praia e atraves de uma escada ingreme e so se desce na mare baixa, pq na mare alta a praia some. Ficamos no alto da encosta, que termina no mar e vimos um belo por do sol. Depois assistimos a um espetaculo de danca tipica da ilha chamado Kechak dance, no qual um coral de aproximadamente 50 homens imita os sons dos macacos e danca contando uma lenda local. Todo o ritual do kechak foi criado em 1930 por um alemão, Walter Spies, um pintor que adorava pintar os nativos e se mudou para Bali na década de 20. Ele achava que os costumes da ilha mereciam ser mais conhecidos e assim ele se uniu a um dançarino indonésio e os dois acabaram criando o Kechak. Só homens podiam fazer parte do ritual. Depois de terem inventado o kechak, os dois treinaram um grupo de balineses e saíram pela asia para mostrar o ritual “mais tradicional da ilha de Bali”. A coisa fez muito sucesso, caiu no gosto ocidental e o Walter Spies e o dançarino indonésio ganharam rios de dinheiro com essas apresentações.
Quase esqueci de dizer, mas antes de entrarmos em Uluwatu precisamos vestir sarongs e somos ajudados por guias locais a vesti-los. Estes guias sao muito simpatico e ficam tentando reconhecer nosso idioma natal e quando conseguem comecam a falar frases em portugues. Mas as frases que eles sabem sao impublicaveis. Eu quase desmaiei de susto quando um deles chegou perto de mim dizendo no mais claro portugues de botequim o que o macaco faz com as maos e seus orgaos sexuais. Achei que o homem era tarado e so depois percebi que ele ja tinha falado para todo o nosso grupo estas e outras perolas e todos estavam se acabando de rir. Foi um festival de frases de primeira qualidade.
No dia seguinte fomos em direcao a um dos muitos vulcoes da ilha, o Batur. Passamos ao longo de varios vilarejos, todos especializados em algum tipo de artesanato, vimos muitos terracos de arroz, e ainda pudemos observar um pouco da mata nativa da regiao.
A viagem ate o vilarejo de Kintamani durou aproximadamente 3 horas. E mais uma vez o mais marcante foi a presenca de muitos templos e altares ao redor de todo o caminho. Aproveitamos para visitar um enorme templo hindu, que eu nao consigo lembrar o nome, e dessa vez entramos nele tiramos muitas fotos e Joao ainda tocou uns instrumentos.
Ao chegar em Kintamani ve-se entao o imponente vulcao de 1717m de altitude, nao e o mais alto de Bali, mas e grandioso. Ainda ativo, sua ultima erupcao foi em 2000, nao aconteceu nada de muito ruim, mas foi o bastante para mostrar que ele ainda esta vivo. Ao lado dele um lago enorme com o mesmo nome. So nao foi perfeito porque o dia estava meio fechado e por conta da imensa legiao de ambulantes cercando a gente e quase exigindo que comprassemos alguma coisa. Nos cutucavam, e nao nos deixavam em paz para curtir a vista, ate a gente nao aguentar mais e sair correndo dali, muito desagradavel.
Nosso motorista nos levou para dentro de um restaurante onde os ambulantes nao entram e entao pudemos aproveitar melhor a visao do vulcao.
Na volta visitamos a cidade de Ubud e um enorme mercado popular, tudo muito pobre e a precos baratissimos. Contrastes da cidade, rica culturalmente mas com a populacao passando por serias necessidades.
Ainda vimos um outro vilarejo Penestanan com mais artesanato e pausa para almoco num misto de restaurante, museu e galeria de arte. Delicioso. Aproveito para dizer que a comida em Bali e deliciosa e barata. Retornamos ao hotel para aproveitar a sua estrutura.
Do resto de Bali e praias comentarei em outra postagem que essa ja esta enorme.

